sábado, 17 de dezembro de 2011

Dois pesos e duas medidas da mídia

Por Messias Pontes, no sítio Vermelho:

O processo de entrega do patrimônio do povo brasileiro iniciado por Fernando Collor de Mello (1990-1992) e aprofundado pelo outro Fernando, o Coisa Ruim (1995-2002), que os traíras neoliberais comandados pelos tucano-pefelistas (hoje demotucanato) chamam de privatização, e que o jornalista Elio Gaspari muito bem batizou de privataria (hoje não faria mais), foi muito bem mostrado pelos jornalistas Aloysio Biondi (morto em julho de 2000) com os seus dois volumes de O Brasil Privatizado – Um balanço do desmonte do Estado e O assalto das privatizações continua -, e Larissa Bortoni e Ronaldo de Moura que entregaram ao público O mapa da corrupção no governo FHC.




Esses três livros publicados pela Editora Fundação Perseu Abramo há mais de dez anos, mostram o modus operandi da traição nacional praticada pelo demotucanato e o prejuízo irreparável ao patrimônio nacional construído com muito sacrifício a partir da década de 1940. Sem nenhuma cobertura da velha mídia conservadora, venal e golpista o primeiro livro de Biondi vendeu em três edições 130 mil exemplares e o de Larissa Bortoni e Ronaldo de Moura, em duas edições, embora modestas, rapidamente esgotaram.


Agora o também jornalista Amaury Ribeiro Jr., com o silêncio sepulcral da mídia, lança o seu A Privataria Tucana, e logo no primeiro dia, sexta-feira 9 de dezembro, esgota a edição de 15 mil exemplares, tendo a editora (Geração Editorial) providenciado mais 30 mil que devem ser vendidos esta semana. O autor vai fundo nos porões da privataria e mostra, com farta documentação, como alguns poucos tucanos de alta plumagem ficaram milionários com a propina que grassou abundantemente durante todo o vergonhoso processo de entrega do patrimônio público a preço de banana em fim de feira.


O autor aponta nominalmente quem se beneficiou da roubalheira, com destaque para o ex-governador de São Paulo e ex-candidato tucano derrotado a presidente da República (2002 e 2010) José Serra, também conhecido por “Zé Bolinha de Papel”, sua filha Verônica e seu genro Alexandre Bourgeois e o marido de uma prima do “Zé”, Gregório Preciado – aquele que depositou US$ 2,5 bilhões na conta do ex-tesoureiro da campanha do Coisa Ruim e do “Zé”, Ricardo Sérgio de Oliveira, que foi diretor do Banco do Brasil no desgoverno tucano-pefelista. Foi o maior escândalo, a maior roubalheira e traição nacional jamais vista em toda a história republicana brasileira.


O livro de Amaury Jr. mostra também as intrigas e futricas no ninho tucano com Serra ordenando a arapongagem comandada pelo ex-delegado da Polícia Federal e depois deputado federal Marcelo Itagiba contra seus adversários dentro e fora do PSDB, em especial contra o então governador mineiro Aécio Neves. E revela a briga de foice no escuro entre graduados petistas pelo comando da campanha da candidata Dilma Rousseff à presidência da República no ano passado.


O que impressiona é que as denúncias, quase sempre sem provas, da panfletária revista Veja repercutem intensamente principalmente no Fantástico e no Jornal Nacional da Rede Globo e em outros veículos da velha mídia como os jornais O Globo, Folha e Estadão e a revista Época. No Congresso Nacional a oposição conservadora de direita logo requer a convocação de um ministro ou outro auxiliar da presidenta Dilma Rousseff acusado com ou sem provas. O que interessa à oposição e sua mídia é enfraquecer o governo já que lhe faltam propostas, programas e até credibilidade, estando totalmente sem rumo.


Agora que vem a público o que todos sabiam mas faltavam as provas documentais e testemunhais, a velha mídia simplesmente desconhece o livro que já é um fenômeno de vendas e procura desqualificar o seu autor; a oposição nas duas Casas do Congresso fazem de conta que o livro não existe.


Felizmente, e embora tardiamente, uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito – será instaurada para apurar as denúncias contidas no livro A Privataria Tucana e aprofundar mais ainda os crimes de lesa pátria cometidos pelos neoliberais tucano-pefelistas. À época da privataria a oposição de então bem que tentou, mas o rolo compressor do desgoverno do Coisa Ruim punha em ação a operação abafa.


Agora o deputado Protógenes Queiroz, delegado licenciado da Polícia Federal e que conhece muito bem alguns dos beneficiados da privataria como o megaguabiru Daniel Dantas, por ele preso duas vezes por envolvimento em corrupção, requereu a CPI e já tem o apoio de muitos dos seus colegas do PT, PV, PDT, PMDB, do próprio PCdoB e de outros partidos, devendo conseguir o mínimo de 171 assinaturas para ser instaurada. O deputado Brizola Neto, do PDT do Rio de Janeiro, também defende a CPI e está conclamando os seus pares para assinarem o pedido, já tendo o apoio do presidente da Câmara, deputado Marco Maia, de colocar em pauta tão logo seja conseguido o número mínimo de assinaturas.


A gravidade do que está exposto e provado no livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. É tão grande que merece editorial de todos os jornais e revistas e das grandes redes de rádio e televisão. Mas como são coniventes, notadamente o GAFE – Globo, Abril, Folha e Estadão – blindam os responsáveis pelas maracutaias e silenciam vergonhosa e covardemente.

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