sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quem é Zé Limeira, o poeta do absurdo, o surrealista dos pobres

"O mundo tem 4 cantos: Oropa, França e Bahia" - disse o póprio!


Enviado por E-mail pelo amigo Eduardo Sganzerla, lá do sul para o nordeste.

Entre os poucos livros de autor nordestino que alcançaram sucesso de público, certamente está incluído Zé Limeira, poeta do absurdo. Seu autor, o escritor e jornalista Orlando Tejo, paraibano de Campina Grande, nasceu em 1935, porém há bastante tempo vive no Recife. O livro tem como curiosidade flagrante e recorrente, em três textos, o longo relato de sua publicação. Tejo conta como os originais andaram por tantas e numerosas mãos, aponta o envolvimento de um leque considerável de pessoas e instituições, descreve o seu percurso pelos caminhos mais tortuosos e incríveis, até finalmente romper o ineditismo em 1973.
São motivos de sobra para as sucessivas edições do livro o perfil biográfico de Zé Limeira, com sua figura de matuto exótico e inconfundível, além do tom ferino, desdenhoso, irreverente e não raro pornográfico dos versos que sua musa popular lhe ditava. José Limeira (1886-1954), que nasceu e morreu em Teixeira, estado da Paraíba, era um bardo sertanejo despachado e andarilho (consta que nunca se utilizava de automóvel, ônibus ou similares, preferindo andar sempre a pé), que causava sensação por onde passava, naqueles sertões ermos e sempre carentes de novidades, à época sem energia elétrica nas zonas rurais, e portanto, sem aparelhos de TV para tornar menos tediosa a vida dos sertanejos.
Orlando Tejo o retrata de um modo burlesco e característico: “Trajava mescla rústica de um azul vivíssimo a contrastar com o vermelho aceso da flanela que lhe envolvia o pescoço, onde se via um tosco anelão de pedra azul pendurado. Exageradas lentes pretas guarneciam os olhos de carvão líquido ao tempo em que sombreavam o rosto anguloso, dando realce à perfeição dos dentes. Quinze anéis grotescos reluziam nos dedos possantes e ágeis, enquanto dezenas de fitas multicores esvoaçavam nas clavículas da viola festiva, feito bandeirolas ao vento. Não se separava de sua rede-matulão e da bengala de aroeira que mais lembrava uma estaca.” Para o cantador teixeirense, segundo depoimentos de seus apologistas e admiradores, não havia amarras que o contivessem. Nas apresentações que realizava, não diferenciava ambientes rústicos ou sofisticados, tanto fazendo estar a improvisar e cantar os seus versos “destrambelhados” na casa do mais humilde sertanejo, em lugares públicos quaisquer ou na residência oficial de um governador.
Zé Limeira transformou-se em lenda viva, levando com que muita gente chegasse a questionar a sua existência real, especulando se ele não seria apenas uma criação poética e ficcional de Tejo. Houve gente que chegou mesmo a acreditar que Limeira fosse o próprio Tejo, transmutado em alter ego deste. Se estas perquirições ultrapassavam as raias da objetividade pela inclinação especulativa sem suporte concreto, não foram poucos os que caíram nas suas malhas, a exemplo de Ascenso Ferreira. Este engodo foi desfeito posteriormente, quando ficou comprovado que o poeta existia verdadeiramente.
Alguns cantadores o viam como excêntrico, e por isso mesmo era posto um tanto à margem. Em dias recentes, cantadores criaram um mote provocativo, no qual estava implícito o modo desdenhoso como encaravam a poesia limeiriana: “Eu querendo também faço/ igualzinho a Zé Limeira”. Este mote, que não chega a estabelecer um gênero propriamente dito, revela que a “desorientação”, de algum modo proposital, promovida por Limeira em cantorias, incomodava sensivelmente a outros cantadores, fossem eles parceiros do poeta teixeirense ou não. Isto porque cantadores que se batiam com ele irritavam-se com a sua falta de disciplina quanto às normas estabelecidas e consagradas da cantoria. Frequentemente Limeira não respeitava num desafio a deixa do outro cantador na forma de verso isolado ou mote de dois versos, nem o assunto geral da cantoria. E também ao insistir em cantar tendo o disparate como guia, que os cantadores desprezavam, não o considerando como parte da cantoria autêntica, embora eles mesmos cultivassem um lado jocoso, cômico e satírico de improvisar versos.
Zé Limeira, pelo seu próprio senso humorístico e comportamento atípico, cantava apenas o que desejava cantar, sem importar-se com críticas e achaques, nem com o que os outros pensavam. A sua contribuição como poeta popular, veicula-se mais pela deformação intencional e caricata que imprimia às palavras e à linguagem regional. Ao intentar cantar exatamente como falava, tendia fortemente para um lado da chamada poesia matuta. E de outra parte, inclinava-se para as próprias invenções vocabulares e semânticas inusitadas que lembravam raízes da linguagem erudita (“filosomia”, “grodofobia”, “pilogamia”, por exemplo), em consonância com a sonoridade da linguagem oral, numa provocação deliberada a fim de criar o efeito, o chiste e o factóide. A poesia matuta, que já virou uma modalidade do gênero popular, aliada ao disparate e acrescida de uma espécie de “surrealismo brejeiro”, delineiam parte das coordenadas gerais já encontradas ou ainda embutidas na poesia de Zé Limeira.

Eis aqui um pouco do  
"Maió cantador que a Paraíba criou-lo (o dito era negro!)".

A PELEJA DE AZULÃO COM ZÉ LIMEIRA

Quem quiser rir a vontade
Leia esta discussão
De dois grandes cantadores
Um maluco e outro não
Trato da peleja de
Zé Limeira e Azulão.
Azulão estava cantando
Na cidade de Monteiro
Chegou Limeira e sentou-se
Ao lado do violeiro
Afinou o pinho e disse
Cante seu verço primeiro.
Azulão
Eu sou José João dos Santos
Azulão de Cabaceiras
Meu cantar é como a fúria
Das águas nas cachoeiras
Ou o rugir dos leões
Abalando as cordilheiras.
Zé Limeira
Eu me chamo Zé Limeira
Cantó de pilogamia
No ginuino da briba
Na baxa da selencia
Nos tafuis dos odriáco
No grão da gronofobia.
Azulão
Limeira, eu não conhecia
Seu estudo imaginário
Num conjunto de palavras
De estranho vocabulário
Aonde foi que arranjou
Este seu dicionário?
Zé Limeira
Mestre, eu comprei dum vigário
Num dia fora de hora
Lá nos pés da noite escura
Na cabeça da aurora
Na curribática de Cristo
No grão de Nossa Senhora.



Azulão
Descontrolou tudo agora
Nesta sua disparada
Que me deixou submerso
Com tanta frase inventada
De tudo que você disse
Eu não pude entender nada.
Zé Limeira
Nas escritura sagrada
Feita por Senhor São Bento
Livro de São Cipriano
Velho e Novo Testamento
Boi, porco, carneiro e bode
Burro, cavalo e jumento.
Azulão
Este seu conhecimento
Ninguém sabe de onde vem
O próprio você que canta
Não sabe explicar também
Dicionários não rezam
Nas Escrituras não tem.
Zé Limeira
Jesus nasceu em Belém
Pra mode fazer justiça
Com doze anos de idade
Discutiu na dotoriça
Com doze anos depois
Sentou praça na poliça.
Azulão
Me foge até a cobiça
De cantar com Zé Limeira
Com esse palavreado
Faz a maior bagaceira
Fugindo completamente
Da história verdadeira.
Zé Limeira
Canta, canta Zé Limeira
Cantador das escritura
Nas barbatanas dos bode
Nos véu das discumpustura
Dez légua de comprimento
Nove parmo de fundura.
Azulão
Colega, a sua escritura
Tem um vocábulo esquisito
Você cantando faz graça
Quem não sabe acha bonito
Mas nos seus versos não tem
Nada do que estar escrito.
Zé Limeira
São José foi pro Egito
Num burro velho cinzento
Carcava as espora nele
Corria sortando vento
Maria dizia: Zé
Assim tu mata o jumento.
Azulão
O seu novo testamento
É você mesmo quem cria
O povo rir, acha graça
Porém fazendo anarquia
Com isso você arranja
O seu pão de cada dia.
Zé Limeira
Saiu José e Maria
Passeando pelo brejo
José tinha uma espingarda
Deu logo um tiro num Tejo
Adispois de três mil anos
Ai foi que nasceu Jeso.
Azulão
Meu Deus, quanto mais eu rezo
Mais assombração me vem
Limeira, suas loucuras
Nas escrituras não tem
E eu cantando com louco
Vou findar louco também.
Zé Limeira
Jesus apanhou o trem
Saltou no Entroncamento
Procurava e não achava
Quem lhe desse um aposento
Drumiu na delegacia
Diz o novo testamento.
Azulão
Limeira seu pensamento
É uma contradição
Seu cantar é uma bomba
Sua voz uma explosão
Que sai destruindo tudo
Como as lavas de um vulcão.
Zé Limeira
Jesus foi fazer missão
Cunvidou sua famia
São José munto cansado
Disse cá Vrige Maria
Arranjasse outro jumento
Que a pé ele não ia.
Azulão
Nesta sua cantoria
Nem um cantador se apruma
Ninguém sabe onde você
Tanta heresia arruma
Que de história sagrada
Não existe coisa alguma.
Zé Limeira
Quem num bebe, quem num fuma
Num canta nas escritura
Dez jumento encangaiado
Cem costá de rapadura
Sete cavalo de lote
Criado cum fava pura.
Azulão
Meu colega Zé Limeira
Se firme em sua cadeira
E cante em boa maneira
Com rima e pontuação
Que seu colega Azulão
Está cantando ao seu lado
Firme e despreocupado
Nos oito pés de quadrão.
Zé Limeira
No outro sécro passado
Ensinei um deputado
Ser tangirino de gado
Na porta do barrracão
O gunvemo do Japão
Inventô o Zepelim
Adispois matou Caim
Nos oito pé de quadrão.
Azulão
Limeira você assim
Nesta mistura ruim
Não há quem chegue no fim
Desta sua confusão
Eu faço meditação
Do que sai da sua boca
Só sendo a pessoa louca
Canta assim oito a quadrão.
Zé Limeira
O Mestre bote uma tôca
Pra guela não ficar rôca
Se a farinha for pôca
Arrume seu matulão
Berto Lameu de Gurmão
Foi maquinista de trem
Morreu cumendo xerém
Nos oito pé de quadrão.
Azulão
Limeira você não tem
Juízo nem pensa bem
Que neste seu vai e vem
Me faz uma indecisão
Com desorientação
Me tirando o som da lira
Seu cantar me desinspira
Nos oito pés de quadrão.
Zé Limeira
Pru dentro da macambira
Eu corro pra Guarabira
E a carroça num vira
Cum vento chuva e truvão
Na serra do Buqueirão
O pai de Getúlio Varga
Matou seis burro de carga
Nos oito pé de quadrão.
Azulão
Limeira a sua descarga
Tão exagerada e larga
Me deixa de boca amarga
Sem rumo e sem direção
Mas vou dar-lhe uma lição
De viola e de garganta
Lhe mostrar como se canta
Nos oito pés de quadrão.
Zé Limeira
Uma cobra salamanta
Mordeu o pé duma pranta
O santo brigou cá santa
Sesta feira da paixão
Eu gritei por Salamão
Pra vim apartar a briga
Deu-lhe uma dor de barriga
Nos oito pé de quadrão.
Azulão
Limeira a sua cantiga
Não é nova nem antiga
Quero que você me diga
Qual é a sua instrução
Porque a sua expressão
Na sua história sagrada
Só tem besteira e mais nada
Cantando oito a quadrão.
Zé Limeira
Vou cantar agora em dez
Nos queleis da juvenia
Jesus José e Maria
Instrupiados dos peis
Acompanharo Moisés
Cum dois jipe e um jumento
Passaram pro Livramento
Jé perto do Maribondo
Assistiram um João Redondo
Diz o novo testamento.
Azulão
O Grande Deus Pai
Eterno Enviou seu filho amado
Pra nos tirar do pecado
E nos livrar do inferno
Que o homem seu subalterno
Perdeu o merecimento
Mas Jesus trouxe um lamento
Para aquele que o seguir
No inferno não cair
Diz o novo testamento.
Zé Limeira
São José fez uma broca
E tirou nessa derruba
Marmeleiro e sipauba
Frejoge, louro e taboca
Tamburete muriçoca
Num mês ele fez um cento
Depois comprou um jumento
Pra levar carga pra feira
De cama, mesa e cadeira
Diz o novo testamento.
Azulão
Jesus nasceu de Maria
Virgem de coração nobre
Inocente e muito pobre
Que em Nazaré vivia
Mas Deus com soberania
Viu nela o merecimento
Escolheu-a no momento
Em que orava ao Senhor
Para a mãe do Salvador
Diz o novo testamento.
Zé Limeira
São José todo corcundo
Botou no jegue a cangáia
Maria ageitou a sáia
E se tacaro no mundo
Chegaro num ermo fundo
Acharo um apartamento
Juda com atrivimento
Foi fazer cosca no jegue
São José deu-lhe um esbregue
Diz o novo testamento.
Azulão
Jesus nasceu em Belém
Numa manjedoura fria
Distante da burguesia
Para o exemplo do bem
Reinava em Jerusalém
Herodes sanguinolento
Esse teve um pensamento
Que Jesus ia tomar
Seu poder e seu lugar
Diz o novo testamento.
Zé Limeira
São Pedro mais São José
Foi fazer uma corrida
Mais quage que se liquida
No camim de Nazaré
Pru caso de Salomé
Que espantou o jumento
O jegue nesse momento
Deu a mulesta a dá úpa
Cum São Pedro na garupa
Diz o novo testamento.
Azulão
Pois quando Jesus nasceu
O céu ficou diferente
Uma luz do Oriente
De uma estrela apareceu
Logo Herodes percebeu
Um grande acontecimento
Soube então do nascimento
Do menino Deus, Jesus
E o sinal era a luz
Diz o novo testamento.
Zé Limeira
Jesus ia de viagem
Sozinho pra Cafarnaum
Escutou um zum zum zum
Numa curva da rodagem
Pensou que fosse visagem
Mais era senhor São Bento
Escanchado num jumento
Que vinha cantando um xote
Batendo nos cabeçote
Diz o novo testamento.
Azulão
Herodes enfurecido
Formou um grupo assassino
Pra matar todo menino
Que fosse recém-nascido
Mas foi logo acometido
De um mal triste e violento
Que chagou-se num momento
Seu corpo, pernas e braços
Morreu largando os pedaços
Diz o novo testamento.
Zé Limeira
Bem perto de Limoeiro
José Jesus e Maria
Discançava ao meio dia
Na sombra dum juazeiro
Veio um judeu cangaceiro
Escanchado num jumento
Igual um leão fomento
Pra morder a mãe de Deu
Num mordeu ele nem eu
Diz o novo testamento.
Azulão
Herodes tendo morrido
Jesus Maria e José
Voltaram pra Nazaré
Lugar santo e preferido
Jesus depois de crescido
Deus deu-lhe consentimento
Pra cumprir seu mandamento
Foi ao Rio do Jordão
Batizou-se com São João
Diz o novo testamento.
Zé Limeira
Jesus botou um roçado
Nesse ano não chuveu
Ele ai se arrependeu
Foi ser vaqueiro de gado
Num cavalo espaduado
Pior d.o que um jumento
Encontrou-se cum São Bento
Aí fizeram uma troca
Pru três carga de mandioca
Diz o novo testamento.
Azulão
Jesus depois do batismo
Andou toda Palestina
Pregando a santa doutrina
E afastando o paganismo
O Cézar vendo um abismo
Contra seu regulamento
Ficou muito violento
Mandou logo procura-Io
Prende-Io e crucifica-Io
Diz o novo testamento.
Zé Limeira
Jesus chegou no Egito
Tava Santa Madalena
Cum a saia bem pequena
Mostrando o corpo bonito
Passando São Benedito
Soltou-lhe um enxirimento
A santa nesse momento
Disse: - Nego se acãe
Gostosa é a sua mãe
Diz o novo testamento.
Azulão
Jesus foi crucificado
No Calvário da Judéia
Por José de Arimatéia
Foi num túmulo sepultado
Depois de ressuscitado
Viram seu merecimento
Com grande arrependimento
Disseram muitos judeus
Este é o Filho de Deus
Diz o novo testamento.
Zé Limeira
Foi no ano de dois mil
São Pêdo estava pescando
Um vento saiu levando
Deixô ele no Brasil
A vinte e quatro de abril
Ele encontrou cum São Bento
Assistiro o casamento
Duma filha do pagé
Depois vortaro de pé
Diz o novo testamento.
Azulão
Zé Limeira eu lhe faço convidado
Pra mudar a rotina e o assunto
Não estranhe a mudança eu lhe pergunto
Se és bom em martelo agalopado
Cante solto, amistoso ou malcriado
Não repita as saladas que já fez
Eu não vou lhe tratar com polidez
Desde já se previna só porque
Eu vou dar-lhe um arrocho que você
Ou se apruma ou endoida duma vez.
Zé Limeira
Já cantei novo e velho testamento
Já mostrei que sou bom na juvenia
Nasce o sol da meia noite pro dia
Assinado cum todos documento
Quem tem fé dá um grito pro São Bento
Esse santo chegô dos estrangêro
No sertão encontrou um cangacêro
E um frade que faz santa missão
Eles três apanharo um caminhão
E se danaro pru santo Juazêro.
Azulão
Seu cantar deste jeito eu arrenego
Misturando Brasil com estrangeiro
Une santo, jumento e cangaceiro
Com palavras que vem da caixa prego
E assim faz igual feijão de cego
Heresias com coisas divinais
Mil assuntos de formas desiguais
Sem sentido, sem ética e sem conforto
Bem que dizem que o pau que nasce torto
Morre torto e não endireita mais.
Zé Limeira
Uma vez que peguei São Salamão
Que estava escondido em meu roçado
Ele ai quis correr tava pegado
Eu com raiva danei-lhe o cinturão
Ele era ispetô de quarterão
E me butou para ser o delegado
Nesse dia ele tava encachaçado
Se ajuntou com Maria Madalena
Foi morar na usina Santa Helena
E nunca mais quis saber de ser sordado.
Azulão
Contigo Limeira canta o Azulão
Mudei pra galope vou cantar ligeiro
É tostão, é vintém, é centavo, é cruzeiro
É cruzeiro, é centavo, é vintém, é tostão
Segure no leme da embarcação
Pra sua canoa não se naufragar
Se você for mole não souber pescar
Confesse a verdade, logo me responda,
Senão eu lhe pego lhe atiro na onda
Que você se afoga na beira da mar.
Zé Limeira
Sou cantador macho nasci no Teixeira
Canto nas ciência pru baixo e pru cima
Sou lima limeira sou limeira lima
Sou limeira lima sou lima limeira
Cheguei no roçado bati na porteira
Escutei de longe o meu gado berrar
Esqueci do anzó vortei fui buscar
Trouxe a espingarda borná e bizaco
Guariba, cutia, saguim e macaco
Tudo isso eu pego na beira do mar.
Azulão
É lindo na praia o vento soprando
Os leques espalmados dos seus coqueirais
As ondas chegando em grupos iguais
A lua surgindo e as águas brilhando
Os peixes alegres nas ondas pulando
Com tanta destreza de admirar
Vem o pescador começa a remar
A sua jangada quando o vento apruma
Das lindas maretas nascendo a espuma
E as ondas trazendo pra beira do mar.
Zé Limeira
Meu cavalo manco minha besta cega
Cum três carga dágua subindo a ladeira
Três cabra maninha todas três leiteira
Peguei minha vaca troquei numa jéga
Tatu a tão liso que chega escorrega
Pro baixo da terra nu céu e no ar
Quem tiver menino pode acalentar
Cum leite de cabra toda branca e preta
Chegaro dez anjo tocano trombeta
Numa pescaria da beira do mar.



Assim findou-se a peleja
Zoaram palmas do povo
Uma cantoria alegre
Limeira ganhou seu louvo
Acertaram para ter
Outro encontro ali de novo.





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